terça-feira, 9 de abril de 2013

Cientistas criam método para "ler sonhos"


Comparando os padrões cerebrais de voluntários quando estão acordadas e dormindo, pesquisa conseguiu identificar 60% de parte do conteúdo de sonhos.
Em estudo publicado na revista Science, pesquisadores japoneses demonstraram uma metodologia que consegue predizer objetos e alguns tipos de conteúdos que as pessoas visualizam em sonhos. A pesquisa é liderada pelo Laboratórios ATR de Neurosciência Computational, de Kyoto, que em 2005 conseguiu identificar para qual lado uma pessoa olhava a partir de imagens de ressonância magnética  e que em 2008 decodificou e reconstruiu imagens que alguém observava analisando suas funções cerebrais.
Usando aparelhos de ressonância magnética e eletroencéfalogramas, eles criaram uma relação entre as atividades cerebrais de um voluntário dormindo com os objetos que ele disse ter visto enquanto sonhava: o voluntário dormia, seu cérebro era mapeado, e quando acordado ele informava algumas palavras-chave do que se lembrava do sonho, como "prédio", "porta" ou "carro". Isso foi repetido 200 vezes para cada participante.
Depois de formado esse banco de dados, os pesquisadores exibiam imagens dos objetos citados para os participantes acordados e mapeavam seus cérebros. O que eles descobriram é que a atividade do cérebro, ao ser exposto a essas imagens, combinava com os mesmos padrões das imagens visualizadas em sonhos. Assim, foi possível reconhecer em 60% das vezes o que estavam sonhando ao se comparar as atividades cerebrais.
O professor Yukiyasu Kamitani, um dos líderes do estudo, disse não estar surpreso com os resultados, mas animado com as possibilidades para a evolução da tecnologia: "Eu tinha uma forte crença de que a decodificação de sonhos seria possível, pelo menos para aspectos particulares". A pesquisa quer agora mapear sensações mais subjetivas, como emoções, cheiros e cores.
Os cientistas reforçam que ainda não é possível usar a metodologia de forma generalizada, mas apenas personalizada, já que depende de mapear funções cerebrais individuais, pois cada pessoa tem respostas neurais diferentes para estímulos visuais.
Fonte: Galileu.

Embrapa polemiza com projeto para clonar animais em extinção para zoos

Gato-maracajá, furão, macaco-de-noite e mico-leão-preto. Todos estão ameaçados de extinção. E todos podem estar em breve num zoológico perto de você, não importa onde você mora. Essa é a ideia da Embrapa, que pretende fazer com esses animais algo que sempre dá o que falar: clonagem.
O projeto nem saiu do papel e já suscita polêmica. Ambientalistas garantem que a clonagem não resolve a extinção. “Sou a favor das pesquisas, mas não em detrimento de outros esforços de conservação”, pondera a bióloga Juliana Ferreira, da USP e da ONG SOS Fauna. Mas Carlos Martins, um dos cientistas envolvidos com o projeto, garante que a ideia não é repor a população dizimada com clones. “O objetivo é o uso exclusivo em zoológicos. Não temos a intenção de soltá-los na natureza”, diz. A presença desses animais raros serviria justamente para conscientizar os visitantes sobre a importância de preservá-los.
O projeto ainda está sob análise do departamento jurídico da Embrapa. Aprovado, deve começar neste ano, e colocaria o Brasil ao lado de países como EUA, China e Japão, que já tentam o mesmo com uma variedade de animais em vias de extinção, como felinos, pandas e baleias, e até com o mamute, extinto há 10 mil anos. Quando chegam a nascer, os animais geralmente morrem logo em seguida — mas alguns já deram certo.
Para a Embrapa, clonar animais não é novidade. Em 2001, a empresa “pariu” a bezerra Vitória, primeiro clone bovino da América Latina. Fazer cópias dos bichos do mato, porém, é um desafio maior. “O procedimento será bem mais difícil devido à falta de conhecimento de reprodução assistida nesses animais”, diz Martins. Logo, é impossível dizer quando nasceria o primeiro clone. Os primeiros candidatos, porém, são estes mostrados abaixo, que já estão no banco de DNA da empresa.
Fonte: Galileu.


Como parar de comer compulsivamente


Já comeu um saco inteiro de salgadinhos quando você não estava nem mesmo com fome? Você não é o único; é apenas mais uma das milhões de vítimas do “comer sem sentido”.
Essa expressão cunhada pelo psicólogo de alimentos Brian Wansink, da Universidade Cornell, em Nova York, EUA, descreve hábitos alimentares subconscientes que podem levar ao ganho de peso desnecessário.
A boa notícia, segundo Brian, é que você pode transformar o seu comer sem sentido em comer, mesmo descuidadamente, melhor – e talvez até mesmo perder peso – simplesmente fazendo pequenas mudanças, como comer em pratos menores.
Brian diz que um grande problema, pelo menos nos EUA, é que os olhos das pessoas são maiores do que seus estômagos. E isso, de fato, é verdade para muita gente.
Por exemplo, culturalmente falando, o psicólogo entrevistou 150 pessoas em Paris, França, para descobrir como elas sabiam que estavam satisfeitas com o jantar. Elas responderam: “quando estamos cheias”. A mesma pergunta foi feita a 150 pessoas de Chicago, EUA, e elas disseram: “quando o prato está vazio”.
Outros experimentos sugerem que o tamanho da porção ou do prato influenciam o quanto comemos. Em um dos testes, 168 espectadores de um filme que tinham acabado de jantar receberam pipoca em recipientes de tamanho diferentes.
As pessoas comeram 34% a 45% mais pipoca se ela fosse servida na “porção extragrande” (aquela caixa enorme de pipoca) do que em pacotes de dimensões regulares.
Em outro teste, Brian descobriu que as pessoas bebiam mais líquidos (cerca de 37% mais) caso fossem servidos em copos gordos e baixos, do que em copos magros e altos com o mesmo volume. “Não confie em seu estômago para lhe dizer quando você está cheio. Ele pode mentir”, diz Wansink.
Para combater o comer sem sentido, livre-se das coisas em seu ambiente imediato que estão gritando para você comer demais.
Algumas sugestões incluem comer em pratos menores, ao invés de pratos maiores e fundos. Também, mantenha os doces fora de vista e passe os alimentos mais saudáveis ao nível dos olhos, tanto no armário quanto na geladeira. Outra ideia é comer na cozinha ou na sala de jantar, em vez de na frente da TV, onde é provável que você perca a noção do quanto já comeu.
Jean Kristeller, professora de psicologia, diz que, embora seja verdade que muitos de nós são comedores descuidados, podemos treinar melhor nossa noção do quanto estamos cheios.
Ela sugere que as pessoas comecem com uma técnica simples: se sirva um copo de água; beba metade e concentre-se no que você sente em seu estômago; em seguida, beba a outra metade. “As pessoas notam uma diferença imediata. A água se estende no estômago e você se sente satisfeito”, diz Kristeller.
Fonte: WebMD.

A posição do seu corpo pode influenciar suas decisões


Por mais racional que você tente ser, o processo de tomada de decisão é influenciado por vários fatores – incluindo alguns inconscientes e um tanto improváveis. Uma pesquisa da Erasmus University Rotterdam, na Holanda (“Inclinando-se para a esquerda, a Torre Eiffel parece menor: Pensamento da Postura Modulada”, publicada recentemente na revista Psychological Science) concluiu que nossos palpites e percepções são distorcidos pela inclinação do nosso corpo.
Os 33 voluntários do estudo tiveram que responder algumas questões que exigiam uma estimativa numérica, como “quanto pesa um elefante adulto?”, “qual a porcentagem de pessoas com mais de 65 na Holanda?” ou “quantos dias chuvosos há no país anualmente?”. Eles respondiam às perguntas de pé sobre uma Wii Balance Board, uma plataforma usada em alguns jogos do console da Nintendo. Mas havia um truque aí: os pesquisadores alteraram a balança para que ela ficasse, às vezes, sutilmente inclinada para a esquerda ou para a direita. A fim de impedir que os voluntários percebessem essa inclinação, uma tela os informava de que estavam perfeitamente retos, mesmo quando não estavam.
E o resultado foi surpreendente: quando estavam inclinados para a esquerda, as estimativas foram mais baixas do que quando eles estavam retos ou inclinados para a direita. Não houve mudanças significativas entre as respostas dadas quando os participantes estavam inclinados para a direita e os que estavam na vertical. Uma coisa já se sabia: quando pensamos em números, nós mentalmente representamos números menores à esquerda e números maiores à direita. Agora, os pesquisadores descobriram que nos inclinarmos para um lado ou outro influencia nossas estimativas numéricas para mais ou para menos, mesmo que não o percebamos.
Sim: a inclinação do nosso corpo influencia as estimativas de quantidades, como tamanhos, números ou porcentagens – o que influencia, por sua vez, nossas decisões. “A tomada de decisão, assim como outros processos cognitivos, é uma integração de múltiplas fontes de informação: memória, imagens visuais e informações corporais, como a postura”, diz Anita Eerland, que participou do estudo.
Mas algo é certo: a posição em que estamos não vai nos fazer responder incorretamente algo que saibamos. Ela vai apenas influenciar suas estimativas para uma determinada direção. Ainda assim, os pesquisadores alertam para que ninguém se iluda achando que nossos processos cognitivos são perfeitamente conscientes e racionais. “A tomada de decisão não é um processo primitivo. Todas as fontes de informação têm alguma influência nele, e estamos apenas começando a explorar o papel do corpo nisso”, explicou Rolf Zwaan, que também participou do estudo.
Fonte: Superinteressante.

Reparos secretos durante o sono


Vivemos numa sociedade que a todo o momento nos convida à vigília. Obrigações, demandas de trabalho e opções de diversão não faltam. São tantas as possibilidades de distração que muitas vezes dormir parece um desperdício – é como se, em comparação com a urgência imposta pela vigília, o sono fosse enfadonhoe improdutivo. De fato, o cérebro adormecido não prepara projetos para apresentar na reunião na empresa nem responde à lista atrasada de e-mails. Exceto durante os sonhos, nesse estado ninguém tampouco ama, planeja as próximas ferias ou realiza muita coisa que cause admiração. No entanto, é justamente durante as horas tranquilas, enquanto a mente está em repouso, que o cérebro faz o trabalho essencial para todos os atos criativos: edita a si mesmo. Guarda o que pode ser útil e também joga muita coisa fora.
Em sua nova teoria sobre a finalidade do sono, o neurocientista Giulio Tononi, pesquisador da Universidade de Wisconsin-Madison, propõe que dormir para registrar o que aprendemos também pode estimular o enfraquecimento de conexões cerebrais. Seus estudos sugerem que, conforme a mente consciente se acomoda no sono, as ligações neurais que criam sustentação para o conhecimento parcialmente “se soltam”. Embora esse desmantelamento noturno possa parecer, à primeira vista, um ato de autossabotagem cerebral, o neurocientista acredita que, na verdade, trata-se de um mecanismo que melhora a capacidade do cérebro de codificar e armazenar novas informações.
Os benefícios do sono para o aprendizado e a memória são amplamente aceitos na comunidade científica. Segundo a visão predominante, as lembranças recém-formadas são repetidas durante o sono e, durante esse processo, são registradas de forma mais intensa. No entanto, de acordo com Tononi, ao unir essas memórias, os circuitos neurais podem ser fortalecidos somente algumas vezes até chegar a sua força máxima. Ele e seus colegas reuniram evidências de que o sono também serve como um botão de reset que, de maneira uniforme, afrouxa conexões neurais para colocar o cérebro de volta em um estado flexível para que a aprendizagem possa ter lugar.
A teoria é controversa. Alguns pesquisadores do sono consideram o resultado ainda muito preliminar e apresentam a hipótese de que o sono seja um momento de consolidação e reforço da memória. Ainda assim, se Tononi estiver certo, dormir pode não ser apenas organizar memórias do passado recente – mas também garantir espaço para as memórias de experiências ainda não vividas.
A aprendizagem ocorre quando uma experiência, como ouvir uma nova música ou andar por uma cidade desconhecida, por exemplo, impõe um padrão de atividade em grupos de neurônios. A experiência altera interconexões de células: ligações entre neurônios coativos se fortificam enquanto aquelas fora do movimento se enfraquecem. Assim, as células se tornam interligadas de maneira funcional. Esta trama dedica-se a preservar um fragmento específico da experiência: a memória. Mais tarde, durante períodos “desligados” – particularmente quando estamos dormindo – o padrão registrado pela experiência se repete, conduzindo a alterações celulares que estabilizam o processo.
Embora grande parte dos pesquisadores conceba o sono como essa recapitulação de aprendizagem durante o dia, Tononi enxerga um problema em potencial nessa hipótese: se as ligações entre neurônios, as sinapses, fossem reajustadas e fortificadas ao longo de dias e noites consecutivas, as células neurais se tornariam “saturadas”. Assim como acontece com os pixels de uma imagem muito brilhante, um conjunto de sinapses uniformes potencializadas forneceria pouca informação. Da mesma forma, um cérebro nessas condições não teria como armazenar novas experiências.
Tononi também observou algumas propriedades interessantes das ondas cerebrais que ele e outros pesquisadores haviam registrado em pessoas dormindo. Cientistas há muito tempo sabem que as “ondas lentas” do sono – fase de descanso profundo em que fica mais difícil despertar – são necessárias e restauradoras. Mesmo assim, dois fenômenos específicos ainda chamavam a atenção de Tononi. Primeiro, ele identificou que pessoas privadas do sono de ondas lentas tendem a compensar o período com turnos mais longos e intensos desse tipo de sono mais tarde.
Além disso, o neurocientista notou que a intensidade do sono profundo – medida como amplitude em gravações de ondas cerebrais – cessa conforme a noite avança. Ambas as observações lhe forneceram exemplos de homeostase (a alternância de forças opostas para manter o equilíbrio do sistema biológico). O sono de ondas lentas parece “puxar” o cérebro de volta a algum tipo de equilíbrio que a vigília havia perturbado.
Tononi procurou desvendar o processo biológico que embasa as mudanças no sono de ondas lentas. Ele sabia que sua intensidade estava relacionada com a força total das sinapses. Quando os neurônios disparam em conjunto, conduzem grupos de conexões neurais à ativação em sincronia. A corrente elétrica que flui através das células neurais cria o sinal de ondas lentas (gravado com eletrodos implantados no couro cabeludo). Tononi acredita que estar acordado pode levar a uma proliferação ou ao reforço de sinapses e que a intensidade inicial elevada do sono de ondas lentas reflete essas redes celulares fortificadas. Se de alguma forma as sinapses se rompem durante este período de sono, este enfraquecimento poderia explicar por que os sinais do sono diminuem ao longo da noite.
Para embasar sua hipótese – apelidada por ele de “homeostase sináptica” – Tononi observou diretamente como as conexões se alteram entre o sono e a vigília. Em um estudo publicado em 2008, o neurocientista e seus colaboradores colheram tecido cerebral de alguns ratos em vigília e de outros animais enquanto dormiam. Para cada amostra de tecido, os pesquisadores usaram anticorpos radioativos para, de maneira seletiva, marcar várias proteínas que existem apenas nas sinapses. Curiosamente, eles encontraram quantidade significativamente maior de proteínas nos ratos acordados do que nos animais em repouso. Conclusão: existem menos sinapses no cérebro adormecido, ou seja, nessa condição as conexões têm menos recursos para comunicação eficaz – isto é, são mais fracas.
A hipótese ganha força com outro estudo publicado em 2010 pelo cientista Xiao-Bing Gao e seus colegas da Universidade Yale. Em colaboração com Tononi, a equipe de Gao gravou a atividade elétrica de neurônios individuais em fatias de tecido cerebral de roedores cochilando e em alerta. Constantemente, os neurônios se comunicam entre si por meio de pequenas correntes elétricas transportadas por meio das sinapses. Quanto mais intensa for a corrente que flui através delas, mais fortes serão as conexões. Os neurônios de roedores previamente acordados demonstraram descarga elétrica mais rápida e vigorosa do que a de animais em repouso, indicando que enquanto o cérebro dorme, os neurônios têm conexões sinápticas mais tênues. Os resultados sugerem que o cérebro alterna estados de ligações entre células neurais fracas e fortes durante o ciclo dia-noite.
MOSCAS SONOLENTAS
Se enquanto nos entregamos aos baços de Morfeu as sinapses são remodeladas, os pesquisadores devem ser capazes de ver os sinais estruturais dessas mudanças. As conexões através das quais os neurônios se comunicam podem variar em número e tamanho. Em geral, quanto maior a quantidade e o tamanho das sinapses, mais “informações elétricas” podem viajar entre dois neurônios conectados.
Os cientistas podem visualizar sinapses deixando marcas fluorescentes nas proteínas que trabalham em ambos os lados da fenda sináptica. Em 2011, Tononi e os neurocientistas de Wisconsin, Daniel Bushey e Chiara Cirelli, relataram o uso dessas técnicas para controlar o tamanho e o número de sinapses em moscas-das-frutas. Eles forçaram algumas moscas a ficarem acordadas, colocando-as em uma caixa giratória – na parte superior da rotação, os insetos sonolentos cairiam e acordariam – para verificar se protelar o sono impediria o encolhimento e a retração de sinapses. Surpreendentemente, de acordo com a hipótese de Tononi, os pesquisadores observaram maior densidade e tamanho de sinapses – em alguns casos, duas vezes maiores – no cérebro das moscas que haviam sido forçadas a permanecer acordadas em comparação com as moscas em repouso.
Em um estudo ainda mais recente, Tononi e sua equipe estenderam esses resultados a ratos. Ao rotular neurônios do córtex do cérebro desses mamíferos com indicadores fluorescentes, os pesquisadores observaram o crescimento e a retração de espinhas sinápticas – minúsculas protuberâncias arredondadas nos neurônios onde ocorrem as sinapses. Eles verificaram que a densidade total de conexões aumentou com a vigília, manteve-se elevada enquanto os animais estavam privados de sono e diminuiu somente após dormirem.
TÔNICO PARA ADORMECER
Antes que a homeostase sináptica possa ser considerada o principal motivo para dormir, os pesquisadores precisam encontrar maiores evidências de que algum aspecto ensurável da função neural – aprendizagem, memória ou percepção, por exemplo – é melhorado pela diminuição de sinapses e comprometido quando essas atividades são de alguma forma restringidas. Porém, há consenso de que não será fácil demonstrar essas provas.
Intuitivamente, sabemos que dormir é restaurador; muitas metáforas tentaram capturar esta ideia. O sono é um tônico, um bálsamo. A sabedoria popular afirma: “Nada como uma boa noite de sono entre um dia e outro”. “Dorme que passa...” Ou, como disse Shakespeare, dormir “entrelaça com cuidado os fios separados e cortados”. Ele não podia saber que o sono nos renova desfazendo no cérebro as malhas entrelaçadas durante o dia para que possamos viver e aprender novamente. Mas, de alguma forma, intuía.
Fonte: Scientific American.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Por que criança e consumismo não combinam?


“Um dos maiores desafios da contemporaneidade é reverter o cenário atual: antes de sermos formados para a cidadania, somos treinados a consumir de forma desenfreada”. Este é um dos trechos da cartilha “Consumismo Infantil: na contramão da sustentabilidade”, lançada no dia 31 de outubro pelo Ministério do Meio Ambiente. O material é destinado a crianças, pais, professores e educadores, e traz informações importantes para a reflexão sobre os valores que a sociedade passa a quem vai enxergar e conduzir o mundo no futuro.
A cartilha oferece uma série de argumentos e dados para explicar por que criança e consumismo não combinam. Primeiro, como é destacado, “ninguém nasce consumista. O consumismo é um hábito que se forma a partir de valores materialistas”.
Depois, as crianças não estão preparadas para lidar com relações de consumo. “A criança não deve ser alvo do mercado nem iniciada no mundo do consumo sem que seja educada para isso”. Ou seja, a educação não é o consumo. Ela vem antes, justamente para que o consumo se transforme em um ato consciente e crítico.
A responsabilidade por uma boa educação deve ser de todos, compartilhada por uma sociedade que, se for mais saudável, forma pessoas melhores. “Essa nova realidade exige reflexões profundas. Muitas vezes encontramos respostas na educação – conceito amplo e de responsabilidade compartilhada, que não se dá só em casa ou na escola, mas também nas ruas e nas diversas mídias”.
A mídia
Um dos pontos de destaque da cartilha é sobre a publicidade voltada para o público infantil – alvo preferencial de apelos comerciais e ações de marketing. “Como explicar a um pequeno que a embalagem de plástico daquele bolo que traz a divertida figura de seu personagem favorito da TV, somada às embalagens consumidas por seus coleguinhas e todas as crianças do mundo, gera um impacto acumulado no meio ambiente? Como levá-lo a compreender que seu brinquedo pode ter sido produzido em condições de desrespeito ao meio ambiente e à saúde dos trabalhadores?”. São muitos pontos envolvidos na produção de bens de consumo que formam a lógica da sociedade em que vivemos - capitalista e, portanto, materialista – e que estão fora do alcance do entendimento infantil.
Aumento exacerbado do consumo, aumento da geração de resíduos, obesidade infantil, “adultização” da infância e erotização precoce, consumo precoce de álcool e tabaco, diminuição das brincadeiras criativas, violência e estresse familiar são alguns dos problemas citados na cartilha que são potencializados “em decorrência da alta exposição de crianças a mensagens mercadológicas”.
Algumas dessas consequências são facilmente identificáveis em uma sociedade como a brasileira, em que as crianças assistem, em média, mais de 5 horas de televisão por dia, segundo dados do Ibope 2011 – um dos maiores índices do mundo. “Essa exposição excessiva contribui para o consumismo, já que a televisão é o principal canal de veiculação de campanhas comerciais que falam diretamente com as crianças”, argumenta a cartilha.
A obesidade infantil já atinge 15% da população infantil no Brasil. “O aumento está vinculado ao aumento do consumo de alimentos industrializados, amplamente divulgados pelo mercado produtor e distribuidor”. E menos de 40% das crianças entre 5 e 10 anos consumem frutas, legumes e verduras na dieta alimentar, segundo o Ministério da Saúde. “Os alimentos industrializados carregados nas lancheiras e oferecidas nas cantinas, os brinquedos eletrônicos produzidos sem respeito às legislações ambientais e de trabalho e a preocupação excessiva com o acesso a bens materiais são apenas alguns dos fatores que contradizem todo o esforço de uma educação para a sustentabilidade”.
A cartilha também oferece dicas para a abordagem do assunto “consumo” com as crianças e propostas para tornar as brincadeiras infantis mais saudáveis, lúdicas e criativas, sem tantos aparatos tecnológicos que muitas vezes mediam o olhar da criança para o mundo.
Fonte: Superinteressante.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Homens estão LITERALMENTE em extinção


Segundo um novo estudo australiano, os homens estão vivendo em tempo emprestado. O macho da espécie humana está, literalmente, caminhando para a extinção.
De acordo com a professora Jenny Graves, da Universidade de Canberra, as mulheres devem ganhar a batalha dos sexos da forma mais definitiva possível.
O motivo para tal é a fragilidade inerente ao cromossomo sexual masculino, o cromossomo Y. O cromossomo X contém uma quantia de 1.000 genes ou mais. As mulheres têm dois deles. Já o cromossomo Y, apesar de ter começado com tantos genes quanto, se desintegrou ao longo de centenas de milhões de anos, deixando menos de 100 genes no homem moderno.
Isso inclui o gene SRY, o principal “interruptor masculino”, que determina se um embrião será masculino ou feminino.
Cromossomo X x cromossomo Y
As mulheres têm dois cromossomos X, e os homens apenas um “fracote” Y. Isso é péssimo, pois o emparelhamento dos X permite que mulheres façam reparos cruciais.
Na falta de um companheiro, é mais difícil para o cromossomo Y consertar erros. “O cromossomo X fica sozinho nos homens, mas nas mulheres tem um amigo para que possa reparar-se”, diz Graves.
E há mais uma má notícia. Em sua palestra na Academia Australiana de Ciência, Graves descreveu os genes restantes no cromossomo Y como sendo na sua maioria “lixo”. “É um acidente evolucionário”, comentou.
Então, é isso? Acabou para os homens?
No entanto, há algumas boas notícias. Graves estima que levará cinco milhões de anos para o cromossomo Y, e os homens que o produzem, desaparecerem de vez.
Outros especialistas também disseram que os homens não precisam entrar em pânico.
Robin Lovell-Badge, especialista em cromossomo sexual do Instituto Nacional de Pesquisa Médica em Londres (Inglaterra), disse que os estudos têm mostrado que a decadência não ocorre ao longo do tempo, mas sim em “rajadas” – o cromossomo Y não perdeu quaisquer genes por pelo menos 25 milhões de anos.
O professor Chris Mason, da Universidade College Londres (Inglaterra) afirmou que, mesmo se o cromossomo Y se esfarelar nos próximos milhões de anos, a medicina vai ter muito tempo para se preparar. “Cinco ou seis milhões de anos deve ser tempo suficiente para a ciência médica produzir uma correção”, disse.
Graves também tem sua própria solução.
Ela diz que quando o cromossomo Y se extinguir, outro cromossomo poderia assumir o papel do Y ausente, levando à criação de uma nova espécie humana.
Isso não é loucura – já existe um precedente na natureza, sob a forma de um rato espinhoso japonês que sobreviveu a perda do seu cromossomo Y. Na verdade, Graves suspeita que o processo já pode estar em curso em alguns grupos isolados de pessoas. É esperar pra ver.
Fonte: Hypescience.

Estilo de vida moderno causa mais dor de cabeça


Apesar da dor de cabeça e seus primos mais desagradáveis, como a enxaqueca, estarem por aí há muito tempo, estudiosos afirmam que a vida moderna pode ser mais adepta a trazer esse fardo para as nossas casas.
Crianças estão sobrecarregadas, adultos estão sobrecarregados, e essa vida ativa, na qual as pessoas não param um minuto, tem a sua culpa.
A tecnologia moderna, por exemplo, pode nos afetar. Crianças e adultos passam muito tempo no computador, na TV ou nas telas de dispositivos móveis e isso pode ser ruim para a cabeça. Um estudo descobriu que os adolescentes nórdicos que passaram mais tempo em computadores ou assistindo a TV tinham um risco maior do que o usual de ter dores de cabeça. O motivo parece ser a tensão de manter o corpo em uma posição por longos períodos de tempo. Outras pesquisas sugerem que música alta é um fator de risco de cefaléia.
Mas talvez o maior contribuinte para a dor de cabeça moderna é o estresse. Estresse e ansiedade podem causar dores de cabeça diretamente, talvez por perturbar os níveis químicos do cérebro. O estresse também leva a comportamentos que tornam mais provável a dor de cabeça, como má noite de sono e refeições puladas.
Estes efeitos do estresse podem ser de longa duração. De acordo com uma pesquisa, experiências negativas na infância levam a mais dores de cabeça na vida adulta. O abuso emocional é o mais forte gatilho – estressores adicionais na infância, tais como o divórcio dos pais ou membros da família viciados em drogas aumenta o risco ainda mais. Todo esse estresse precoce na vida basicamente muda o cérebro, e de maneiras que provavelmente não são reversíveis.
Existem dezenas de tipos de dores de cabeça, e ainda mais motivos que lhes causam. Algumas dessas dores são menores e na sua maioria inofensivas, como a ressaca após uma noite de bar. Outra, como a dor de cabeça súbita e grave, pode ser um sinal de emergência médica, como sangramento em torno do cérebro.
Os médicos alertam: drogas preventivas podem parar dores de cabeça freqüentes, e analgésicos podem aliviar uma dor de cabeça no momento em que ela lhe aflige, mas o ideal é simplesmente “desacelerar”, o que tem ajudado muita gente. Arrumar um tempo para não fazer nada é o melhor remédio.
Fonte:  LiveScience.

Pedir desculpas faz mal para você


Tá difícil engolir o orgulho e pedir desculpas para alguém? Não se preocupe, a ciência te protege: recusar-se a pedir desculpas vai te fazer mais feliz. Ou pelo menos fortalecer sua autoestima.
A descoberta veio da Austrália. Para entender por que algumas pessoas não pedem desculpa de jeito nenhum, três pesquisadores convidaram 228 pessoas para um teste. Todos descreveram um episódio em que haviam machucado ou chateado alguém. Mas as reações, quando deram a mancada, foram diferentes: alguns chegaram a pedir desculpa, enquanto outros não fizeram nada a respeito ou se recusaram a pedir perdão. Na sequência, cada um precisou responder como se sentia em relação à atitude (corajoso, sincero, passivo, satisfeito, orgulhoso, forte e poderoso).
Quem se desculpou até pareceu mais confiante e feliz do que quem não havia tomado nenhuma atitude. Mas as pessoas que se recusaram a pedir perdão se sentiam mais fortes do que todos: a sensação de poder era bem maior. “Quando você se recusa a se desculpar, você se sente mais poderoso. E esse poder aumenta sua autoestima”, explica Tyler Okimoto, autor da pesquisa.
Num segundo teste, outras 219 pessoas tiveram o mesmo desafio: lembre-se de quando você machucou ou chateou alguém.  À pedido dos pesquisadores, um terço deles escreveu um e-mail de desculpas e outro escreveu um se recusando a pedir perdão (tipo “eu fiz isso, mas você fez aquilo, então é isso”). O restante não precisou fazer mais nada.
Assim como no primeiro teste, todos disseram como se sentiam com a atitude. O resultado foi o mesmo. Nesse caso, mais de 60% dos participantes tinham se desculpado, na vida real, pela mancada.  Mas a maioria não achava tão justo assim pedir desculpa. Ou seja, não foi de coração. Foi só para amenizar a situação.
Ok, então a pesquisa diz: melhor pedir desculpas só quando julgar justo – caso contrário você vai se sentir menos “poderoso” e sua autoestima vai lá pra baixo.
Fonte: Superinteressante.

Super poliglotas: como funciona a cabeça das pessoas que aprendem dezenas de idiomas


Ler Dostoiévski em português é para os fracos. Carlos Freire queria devorar Crime e Castigo e outros clássicos russos no original. Aos 20 anos, ele mergulhou nos livros e se mudou para a casa de uma família russa em Porto Alegre. Em poucos meses, dispensou os tradutores. E não era seu primeiro idioma estrangeiro. Logo cedo, a proximidade com o Uruguai o deixou afiado no espanhol. Depois, aprendeu francês, latim e inglês. O caminho da faculdade era claro: Letras. "Quanto mais idiomas você sabe, mais fácil aprender outros. Os 10 primeiros são os mais difíceis", diz. Sim, 10. Aos 80 anos, Freire já estudou 135 línguas - de japonês a esperanto. É mais do que o padre italiano Giuseppe Mezzofanti, que ficou notório no século 18 por ouvir confissões na língua nativa dos estrangeiros. Especula-se que ele falava entre 61 e 72 idiomas e lia em 114.
Os dois integram um seleto time de pessoas que conseguem aprender dezenas de idiomas. Não são só poliglotas. Quem é fluente em mais de 6 línguas tem um título maior: hiperpoliglota. O termo foi definido em 2003 pelo linguista britânico Richard Hudson. Ao estudar comunidades poliglotas, ele descobriu que o número máximo de idiomas falados em comum por todos os moradores é 6. Ainda não se sabe o motivo exato de serem 6 línguas. O que se sabe é que os hiperpoliglotas são diferentes de bilíngues ou meros falantes de 3 ou 4 línguas. E que os limites do cérebro deles podem ajudar a ciência a buscar os limites do nosso cérebro.
IDADE É TUDO
Mezzofanti entrou na escola aos 4 anos, onde aprendeu 3 idiomas. Aprender línguas na infância faz toda a diferença. Após a puberdade, os hormônios dificultam a reprodução de um sotaque mais autêntico. Se você aprende francês após os 14 anos, por mais que estude, provavelmente vai soar como um "brasileiro fluente em francês" - mas não como um francês. Vários estudos comprovaram essa tese. Um deles selecionou 46 adultos chineses e coreanos que moraram nos Estados Unidos em diferentes fases da vida. Os que chegaram ao país até os 7 anos tiveram resultados semelhantes aos de nativos. Quem chegou aos EUA com mais de 15 anos teve desempenho pior.
Isso ocorre porque, com o tempo, o cérebro parece endurecer. Conforme crescemos, ele forma estruturas neurais confiáveis para orientar as ações que tomamos. É uma base de conhecimento que guia as experiências e responde às situações do dia a dia. À medida que mais estruturas neurais se formam, o cérebro perde flexibilidade. E ela é importante para aprender coisas complexas, como falar uma língua. Pesquisadores acreditam que os hiperpoliglotas conseguem prolongar essa plasticidade. "Eles são como um experimento natural sobre os limites humanos", diz Michael Erard, linguista e autor do livro recém-lançado Babel no More (inédito em português). Não é de se estranhar, portanto, que ainda hoje Freire mantenha o ritmo de aprender de dois a 3 idiomas por ano.
Falar pode parecer um ato simples, mas exige várias tarefas do cérebro: percepção auditiva, controle motor, memória semântica, sequenciamento de palavras. Para assimilar um novo idioma, o cérebro precisa entender as estruturas do som e das palavras. E, até chegar a isso, o aprendizado percorre um longo caminho pelos hemisférios esquerdo e direito do cérebro.
Com vários pontos de parada, não é difícil perceber a complexidade disso tudo. E cada coisa nova que se aprende (como tocar um instrumento musical) não percorre exatamente o mesmo caminho. Já se sabe que aprendemos melhor uma língua na infância. Mas essa vantagem da juventude não se estende, necessariamente, a todos os outros aprendizados da vida. Ser um gênio no piano porque começou a tocar aos 5 anos pode não ter nada a ver com plasticidade. "Não importa a idade, dizem que você precisa de 10 mil horas para tocar bem um instrumento. Ou seja, tocar melhor porque aprendeu aos 5 anos pode ser apenas uma vantagem incidental, porque teve mais tempo para estudar", diz Diogo Almeida, professor de psicologia da Universidade de Nova York e especialista em linguística. Ou seja, por mais que hiperpoliglotas consigam adiar o enrijecimento do cérebro, a maior contribuição deles para a ciência é outra - e um tanto mais óbvia: acúmulo de conhecimento. Memória.
Aprender dezenas de línguas não é o mesmo que ser fluente em várias ao mesmo tempo. O americano Gregg Cox, citado no Guinness Book como "o maior linguista vivo" (64 línguas e 11 dialetos) conseguia se comunicar em apenas 7 idiomas ao mesmo tempo. Freire encarou um desafio maior em Moscou. Durante uma reunião com estrangeiros, teve de falar em 10 idiomas diferentes. E conseguiu. Michael Erard realizou uma pesquisa com 172 hiperpoliglotas e constatou que a maioria pode manter de 5 a 9 línguas ativas na memória. As outras ficam guardadas em outra área, a memória de longo prazo, como se fossem arquivos comprimidos no computador. O conhecimento está lá, mas não pode ser acionado instantaneamente. Leva um tempo para reabri-los. Freire, por exemplo, explica que, para relembrar um idioma, ele precisa de uma semana de estudo. "É possível ativar mais línguas, mas exigiria um tremendo esforço", diz Erard. "Além do mais, essas pessoas têm outras coisas para fazer". Quem volta do exterior falando outra língua em vez de português já passou por algo semelhante. Há uma reprogramação no cérebro. Agora imagine conversar em 10 idiomas ao mesmo tempo. Pois é.
CAIXA ELÁSTICA
Quando Freire saiu de um diálogo em russo para conversar em alemão, seu córtex pré-frontal mudou a chave da linguagem. Essa área do cérebro conta com a ajuda da memória ativa. A quantidade de línguas que um hiperpoliglota controla ao mesmo tempo dá uma dimensão do espaço da memória ativa. E, apesar de treino, expandir essa caixa não parece muito possível. Informações novas chegam, velhas vão para a memória de longo prazo. Ou somem.
Se por um lado a memória ativa guarda relativamente pouca coisa, a memória de longo prazo tem um espaço maior. E mais flexível. Na pesquisa de Erard, os entrevistados conseguiam, em média, aprender 30 idiomas. Perto das façanhas de Freire, Cox e Mezzofanti, parece pouco. Mas é aí que outros pontos entram em cena. O primeiro é a genética. Segundo cientistas da Universidade de Münster, na Alemanha, a habilidade em aprender idiomas envolve diferenças genéticas nos neurotransmissores do hipocampo, a área que transforma informações temporárias em permanentes. As filhas de Freire, por exemplo, falam mais de 3 línguas. Têm facilidade, mas nunca quiseram aprender mais. E motivação é fundamental. Freire aprendeu novas línguas porque queria ler os clássicos sem encarar tradutores. Mezzofanti usava a facilidade com idiomas dentro da religião - diz a lenda que ele, uma vez, aprendeu um novo idioma, em menos de um mês, apenas para ouvir a última confissão de um homem condenado à morte. A genética ajuda, mas o fator determinante é outro: a velha e batida vontade de aprender.
O jornalista americano Joshua Foer comprovou isso. Ele foi desafiado a fazer um treinamento intensivo para participar de um campeonato de memorização nos EUA. Foer era péssimo para lembrar coisas simples (onde deixou as chaves, por exemplo). Topou o desafio e, um ano depois, ganhou o campeonato. Basicamente, ele aprendeu a organizar as informações no cérebro e a traçar caminhos para encontrá-las. Freire faz o mesmo. Há 50 anos, ele dedica pelo menos 3 horas diárias de estudo, com uma meta em mente: aprender 3 idiomas por ano. Essas pessoas mostram que é possível expandir a capacidade de guardar informações na caixinha de longo prazo, sem precisar de um QI acima da média. Se a memória ativa mostra um limite pouco mutável, a memória de longo prazo parece aumentar de acordo com a vontade de cada um. Mas, afinal, qual a vantagem em guardar tanta coisa?
Memória para quê?
Freire lê romances no original e ganha dinheiro com tradução e aulas. A neurocientista Ellen Bialystock, da Universidade de York, no Canadá, afirma que pessoas que falam mais línguas apresentam maior capacidade de concentração e se tornam mais distantes do Mal de Alzheimer. Ela estudou casos de 211 pacientes e concluiu que os bilíngues adiaram os sintomas da doença em até 5 anos, quando comparados a um monolíngue. Eles mantêm o cérebro ativo.
Mas com a internet no bolso e várias maneiras tecnológicas de guardar e acessar informação, qual é a utilidade prática da memorização? Precisamos decorar menos informações. E a nossa cabeça já está mudando. Estudos indicam que o Google modificou a memória das pessoas: deixamos de decorar quando sabemos que há uma fonte externa de armazenamento de informação. Pare e pense: quantos números de telefone você sabe de cor? Provavelmente bem menos do que sabia antes da popularização das agendas nos celulares. "Tornamo-nos dependentes dela [dessa fonte externa] no mesmo nível que somos dependentes de todo o conhecimento que recebemos dos amigos. Aí, perder a conexão parece perder um amigo", diz o estudo. Ficamos apegados ao fato de que a tecnologia aumenta exponencialmente o acesso a informação e conhecimento. A internet parece cuidar cada vez mais disso. Expandir a memória é difícil, mas possível. O desafio maior é querer.
Fonte: Superinteressante.