segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Mulheres bonitas são mais egoístas


A coisa não anda muito boa pro lado das pessoas bonitas. Não faltam pesquisas para denegrir a imagem deles: gente bonita é mais malvada, gente bonita sacaneia mais os outros, mulher bonita emburrece os homens. E agora outro estudo ainda diz que mulheres bonitas costumam ser mais egoístas.
Numa pesquisa conduzida por cientistas israelenses, 118 mulheres responderam a um questionário sobre personalidade e valores (se eram neuróticas, cabeça aberta, seguras, conformistas, compreensivas, etc). E depois gravaram um vídeo, em que liam, em voz alta, a previsão do tempo.
Depois, outros 118 voluntários (40% deles eram homens) assistiram aos vídeos e deram notas à beleza das mulheres. Aí os pesquisadores perceberam que, as mulheres eleitas mais bonitas pelo público, também eram mais egoístas – não pensam muito nos outros e, geralmente costumam colocar os próprios interesses sempre a frente de qualquer coisa
Segundo a pesquisa, elas se conformam com as regras sociais e tentam sempre atender às expectativas. Mas para conseguir isso não pensam duas vezes em se promover ao invés de se preocupar com os outros.
Que feio, gente.
Fonte: Superinteressante.

7 fatos para entender melhor os impostos no Brasil


Já ouviu falar que tudo custa mais caro no Brasil? Você provavelmente nem faz ideia da dimensão do problema. No ano passado, cada brasileiro desembolsou aproximadamente R$ 8 mil em tributos. A arrecadação total chegou à marca de R$ 1, 55 trilhão, segundo indicou o Impostômetro, o que representa um crescimento de cerca de 4% em relação ao ano anterior. É muito dinheiro: colocadas lado a lado, 1 trilhão de notas de 1 real dariam 3.493 voltas na Terra, e poderiam pagar mais de 1,5 bilhão de salários mínimos ou fornecer medicamentos para toda a população do Brasil por 33 anos
1-O Brasil é “líder” na cobrança de impostos e “lanterninha” no retorno à população
Se o Brasil fosse membro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), composta por 33 nações, ocuparia o 14º lugar no ranking geral dos países com o maior percentual de carga tributária – 34,5%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) em 2010. E onde vai parar este tesouro? Para estimar o quanto do dinheiro dos impostsos realmente volta para a população, o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) criou o Índice de Retorno de Bem-estar à Sociedade (Irbes). Adivinhe: entre os 30 países com os impostos mais altos, o Brasil é o que oferece o pior retorno da arrecadação em serviços para a população.
Em parte isso acontece porque, embora o Estado arrecade muito, tem despesas ainda maiores. De R$ 1 trilhão arrecadado em 2012, R$ 335 bilhões foram destinados para pagamento de aposentadorias do setor privado e benefícios sociais, R$ 209 bilhões para gastos administrativos e o custeio da máquina pública, R$ 198 bilhões de transferências para Estados e Municípios, R$ 134 bilhões para juros e encargos da dívida pública, R$ 123 bilhões para salários de servidores e R$ 81 bilhões para aposentadoria e pensão dos servidores federais. O valor vai minguando conforme se aproxima de itens como transporte (R$ 11 bilhões), educação (R$ 10 bilhões) e saúde (R$4 bilhões).
2- Pagar IPTU e IPVA não garante que os buracos das ruas e estradas sejam tapados
Existem cinco tipos de tributo no Brasil: impostos, taxas, contribuições de melhoria, empréstimos compulsórios (hoje em desuso) e contribuições sociais. As taxas, por exemplo, são um exemplo de tributo vinculado. Se pagarmos uma taxa relacionada ao fornecimento de água, o destino da receita arrecadada é claro: está vinculado ao recebimento esse serviço estatal. Já os impostos são tributos não-vinculados. Ou seja, o dinheiro do IPVA ou do IPTU não é destinado necessariamente ao recapeamento de ruas, por exemplo. Depois da arrecadação dos impostos, é formado um caixa geral, e cabe ao Poder Executivo decidir onde o dinheiro será aplicado prioritariamente – uma medida que ocorre tanto no governo federal, quanto no estadual e municipal.
Isso não é exatamente um defeito. “Se cada receita, oriunda de cada imposto, estiver afetada a uma finalidade previamente especificada, torna-se impossível ao Poder Executivo tomar decisões, daí resultando a ingovernabilidade”, explica o diretor da Associação Brasileira de Direito Tributário, Paulo Adyr Dias do Amaral. Esse é outro motivo para você prestar atenção na hora de votar: cabe ao governante elaborar um plano de ação que descreva o orçamento e estabeleça prioridades para a aplicação da receita. O lado ruim dessa desvinculação é que você perde o controle do gasto público – e a razão na hora de xingar as ruas esburacadas da cidade.
3- Mais da metade dos impostos que você paga está nas coisas que você compra
Há um motivo para tudo custar mais caro por aqui – mas, saiba, não é um bom motivo. Enquanto o padrão mundial é ter apenas um imposto para o consumo, por aqui contamos com cinco. Como explica o professor de Direito Tributário da UFMG, Dr. Paulo Coimbra, em mais de 160 países os tributos são cobrados na modalidade do IVA (imposto sobre valor agregado). Quando o Brasil “importou” esta forma de tributação, o imposto foi dividido em três: um para a União (o IPI, Imposto sobre Produtos Industrializados), um para os Estados (o ICMS, Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Serviços) e um para os Municípios (o ISS – Imposto sobre Serviços).
Para piorar, as regras para o IPI e o ICMS variam de um produto para o outro e de um estado para o outro. É confusão que não acaba mais. Como se não bastasse, a União institui outras duas contribuições sobre o consumo, o PIS/Pasep (Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público) e o Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social).
Do total da arrecadação de tributos, apenas cerca de 3% resulta da tributação do patrimônio (impostos como o IPTU, por exemplo). Cerca de 20% resulta da tributação sobre a renda – um valor que poderia ser considerado justo, não fosse o baixo retorno dado à população. O restante cai no consumo – e pesa no seu bolso, é claro. Isso explica, em parte, porque quase metade do valor que pagamos em um carro é referente a tributos.
4- Pagamos muito mais tributos do que percebemos
Os olhos não veem, mas o bolso sente. O impacto de tamanha tributação não se manifesta apenas nos bens mais caros. A tributação sobre o consumo passa despercebida ao longo da cadeia de produção. Chamados de impostos indiretos, eles poderiam ser chamados de invisíveis: não sabemos que eles estão lá, mas o peso de todos os tributos é geralmente embutido nos produtos, sendo todo o encargo repassado para o consumidor. O resultado é o que você já sabe: tudo fica extremamente mais caro e o mercado interno menos competitivo.

5.-Impostos incidem sobre impostos
Não bastasse o grande volume de tributos, outra distorção no Sistema Tributário brasileiro contribui para deixar tudo mais caro no país: os impostos em cascata. A (falta de) lógica sob a qual opera a chamada “multiincidência tributária” chega a ser assustadora: ao se calcular o montante que deve ser recolhido de IPI, por exemplo, aplica-se a taxa sobre a base de cálculo que já inclui o valor pago de ICMS. Assim, o valor pago em tributos vai às alturas e…

6- Quem recebe menos paga, proporcionalmente, mais
Enquanto alguns tributos, como o Imposto de Renda, se baseiam no princípio da progressividade – quanto maior a renda do contribuinte, maior a taxa cobrada – o mesmo não acontece quando se tratam dos impostos indiretos, já embutidos nos preços de bens e serviços. Nestes, a taxa é fixa independentemente da situação econômica. “A carga tributária suportada pelas famílias brasileiras que ganham até dois salários mínimos é de 48%. Para as famílias que ganham trinta salários mínimos, a carga cai para 26%. Ou seja: quanto mais pobre é o contribuinte brasileiro, maior é o impacto da tributação que sobre ele recai”, explica Paulo Adyr. Por isso, se diz que a tributação indireta produz efeitos de regressividade.

7- A transparência tributária, prevista na Lei, ainda está longe de ser atingida

Está no parágrafo 5 do artigo 150 da Constituição de 1988: “A lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviço”. Apesar de estar no papel, esta medida só passará a valer este ano – e, ainda assim, só parcialmente. Entrará em vigor no dia 10 de junho de 2013 a Lei 12.741/12, que determina que os estabelecimentos sejam obrigados a divulgar, na nota fiscal, o valor de cada imposto pago e como isso influenciou no preço final do produto – um tipo de discriminação de tributos que já existe em outros países há anos.
“A transparência tributária é, sem dúvida, o primeiro passo para uma reforma tributária justa e democrática”, diz o advogado André Garcia Leão Reis Valadares. Mas o caminho é longo. Apenas 8 dos 85 impostos brasileiros vão aparecer na nota fiscal: ICMS, ISS, IPI, IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), PIS/Pasep, Cofins e Cide (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico). “Este é apenas o início de um processo de conscientização e transparência por qual deve passar o sistema tributário nacional”, diz Valadares, membro do Grupo de Estudos em Direito Tributário (GETRI).
Fonte: Superinteressante.




Cegos de ciúmes


Comportamentos compulsivos, como verificar registro de ligações no celular, são sustentados pela ilusão de que é possível controlar o que o parceiro faz ou sente.
Há mais de 400 anos, William Shakespeare tratou da “doença da suspeita” em uma de suas obras mais populares: Otelo, o mouro de Veneza. A desconfiança de que a mulher mantinha relacionamento com um rapaz mais jovem – despertada e alimentada por insinuações de um subordinado, Iago – levou-o a buscar e a acreditar ter encontrado provas da traição em fatos triviais. O escritor referia-se ao ciúme como “o monstro de olhos verdes”, uma metáfora sobre a cegueira induzida pelo sentimento que faz entrever como provável ou certo o que apenas é possível de acontecer.
No relacionamento amoroso, no entanto, é natural sentir ansiedade ao perceber que algo ou alguém pode reduzir o espaço afetivo que ocupamos na vida do parceiro. “O ciúme normal é transitório e se baseia em ameaças e fatos reais. Ele não limita as atividades – nem interfere nelas – de quem sente ou é alvo de ciúme e tende a desaparecer diante das evidências”, define a psicóloga Andrea Lorena, pesquisadora de ciúme excessivo do Laboratório Integrado dos Transtornos do Impulso (PRO-AMITI) do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). O ciúme extrapola as fronteiras do saudável quando se torna uma preocupação constante e geralmente infundada, associada a comportamentos inaceitáveis ou extravagantes, motivados pela ansiedade de tirar a limpo a infidelidade do parceiro. “No ciúme excessivo, o medo de perder a pessoa amada vem acompanhado de emoções específicas – raiva, medo, tristeza, ansiedade – e pensamentos irracionais. ‘Será que ele/ela está me traindo?’ é um pensamento frequente. Quase sempre há prejuízos para quem sente, para quem é alvo e para o relacionamento”, diz Andrea.
Não raro os pensamentos irracionais se traduzem em comportamentos compulsivos, sustentados pela ilusão de que é possível controlar o que o parceiro faz ou sente, como verificar agendas, registro de ligações no celular, seguir o parceiro, conseguir senha de acesso ao e-mail, checar faturas de cartão de crédito e fazer visitas-surpresa para confirmar suspeitas. Muitas vezes as preocupações são acompanhadas por sintomas físicos, como sudorese, taquicardia, alterações no apetite e insônia. De acordo com Andrea, uma das características mais comuns da pessoa excessivamente ciumenta é a baixa autoestima. “Isto é, ela não acredita que tem valor e merece respeito. A priori, é alguém ‘traível’ e abandonável, pois na verdade acredita que a honestidade e a reciprocidade nas relações não valem a pena. É um sentimento com origem na infância e na relação com os pais, em que provavelmente a pessoa foi negligenciada e desrespeitada. Somam-se ainda fatores como insegurança, medo, instabilidade e a própria desorganização pessoal”, diz a psicóloga.
 No Brasil, o PRO-AMITI e a Santa Casa do Rio de Janeiro oferecem tratamento gratuito para ciúme excessivo. A abordagem combina atendimento psicológico, em grupo ou individual, e psiquiátrico. É comum a comorbidade com transtornos de depressão e ansiedade que, se diagnosticados, são tratados com medicamentos. “O processo psicoterápico trabalha a melhora da autoestima e a segurança com o próprio relacionamento. Com o tempo, o paciente percebe que comportamentos como investigar o que o parceiro faz na rede ou vasculhar seus pertences são desnecessários”, diz Andrea.
O ciúme excessivo é um traço frequente de outro quadro: o amor patológico (AP), com características semelhantes à dependência química. Ele ocorre quando o comportamento saudável de atenção e cuidado para com o parceiro, característico do amor, começa a ocorrer de maneira repetitiva e frequente. A pessoa se ocupa do outro mais do que gostaria e abandona interesses e atividades que antes valorizava. Segundo a psicóloga Eglacy Sophia, também do PRO-AMITI, ciúme excessivo e amor patológico compreendem medo intenso da perda, baixa autoestima e insegurança emocional. “Muitas vezes os questionamentos sobre a fidelidade do parceiro são calcados em motivos plausíveis. Em geral, uma entrevista cuidadosa com o paciente revela dados sobre o comportamento do parceiro que poderiam causar ciúme em qualquer pessoa, como telefonemas secretos, distanciamento afetivo e físico frequente e confirmação de traições passadas”, diz a psicóloga.
Apesar de existirem poucos estudos relacionando o ciúme patológico com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), os pensamentos do ciumento costumam ser similares aos das pessoas que têm o distúrbio: são intrusivos, desagradáveis e incitam atitudes de verificação. “Pacientes que reconhecem seus comportamentos como inadequados ou injustificados apresentam mais sentimentos de culpa e depressão; os demais demonstram raiva e condutas impulsivas mais pronunciadas”, diz Eglacy.
Fonte: Scientific American.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A relação entre a beleza e o amor


O amor e a beleza geralmente andam juntos na literatura, no cinema, na música. E no dia a dia: temos a tendência de achar a pessoa que amamos a mais bonita da face da Terra (conservadas as devidas exceções, é claro. Alguns exemplares humanos de rara beleza, geralmente residentes em Hollywood, ainda podem ocupar secretamente as primeiras posições em nosso ranking). Agora, pesquisadores ingleses descobriram que essa relação não é por acaso: amor e beleza ativam regiões semelhantes do cérebro.
O estudo, publicado em julho na revista PLoS ONE , foi conduzido por Semir Zeki e seus colegas do Laboratório de Neurobiologia da University College London, na Inglaterra, e pretendia analisar a resposta cerebral de 21 pessoas de diferentes culturas enquanto observavam obras de arte que consideravam belas. Eles tiveram de avaliar 60 pinturas e 60 composições musicais e categorizá-las como bonitas, feias ou indiferentes. Depois, foram expostos novamente a esses estímulos enquanto a sua atividade cerebral era analisada por um exame de ressonância magnética. O cérebro dos voluntários não mostrou nenhuma reação significativa quando eles eram expostos a obras que não achavam bonitas nem feias. As feias estimularam o córtex motor primário e a amígdala. Já a beleza estimula processos cerebrais bem diferentes.
Tanto pinturas quanto músicas consideradas bonitas ativaram com intensidade semelhante uma seção de 15 a 17 milímetros de largura do córtex medial orbitofrontal (além das áreas sensoriais correspondentes). Com base em pesquisas anteriores, que já relacionavam essa região com a percepção da beleza, os pesquisadores acreditam que pode haver uma íntima ligação nessa atividade com processos relacionados ao desejo, valor e beleza. Isso acontece, por exemplo, quando você acha uma coisa bonita, passa a desejá-la, e isso afeta o seu julgamento. A música parecia exercer um efeito mais rápido no cérebro, mas a arte visual tinha um efeito extra: ela também ativou uma parte do cérebro chamada núcleo caudado, que tem sido associada a sentimentos de amor romântico e se ativa quando vemos o namorado, por exemplo. E quanto mais bonito você considera o estímulo, mais a região se ativa.
Portanto, cinema, literatura e afins têm certa razão: a feiúra não tem ligação com o amor, pelo menos no que diz respeito à nossa atividade cerebral. Mas a beleza, sim.
A dúvida que fica, agora, é: amamos porque achamos bonito ou achamos bonito porque amamos?
Fonte: Super.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Pesquisa revolucionária sobre comportamento de pessoas em estado vegetativo estava errada


A revolução durou pouco – pouco mais de um ano. Foi esse o período em que os cientistas acreditaram que pessoas em estado vegetativo podiam ouvir e interpretar comandos externos de voz. Parece que os resultados do tal estudo revolucionário, publicado no final de 2011, foram obra do acaso.
A pesquisa, cujo título é Bedside Detection of Awareness in the Vegetative State: a Cohort Study, algo como “Detecção de Consciência no Estado Vegetativo: Um Estudo de Coorte” (coorte significa que as pessoas passaram pelo mesma situação no mesmo período), foi financiada por entidades bastante tradicionais e foi publicada na The Lancet, uma das publicações médicas mais importantes e antigas do mundo. Agora, a mesma publicação acaba de publicar uma espécie de revisão desse estudo.
De acordo com essa re-análise tudo não passou de uma coincidência. No experimento original, os pesquisadores pediam para 16 pacientes em estado vegetativo para que eles mexessem as mãos ou os dedos dos pés. A atividade cerebral de todos estava sendo monitorada e, em três casos, o comportamento foi análogo ao de pessoas que de fato entendiam o que lhes era pedido.
Esse achado significa que ali havia compreensão de linguagem e memória de curto prazo – por isso a reviravolta na época. De acordo com a “réplica”, houve uma série de enganos em relação ao método e à própria análise dos dados. A duração das atividades em relação à duração do período de descanso, por exemplo, foi contestada. Apesar de listar uma outra serie de incongruências técnicas bastante específicas, os pesquisadores fazem questão de dizer que os erros do estudo de 2011 não aconteceram por má fé.
Fonte:  New York Times.

Como conseguir acordar mais cedo sem sofrer (tanto)


Se você é daqueles que não conseguem sair da cama em um horário decente e fazem uso do botão “soneca” do despertador umas 10 vezes diariamente, este post será bem útil.
Rubens Reimão, líder do Grupo de Pesquisa Avançada em Medicina do Sono da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) e autor de livros sobre o tema, respondeu a perguntas sobre o assunto:
Que motivos podem levar algumas pessoas a ter mais dificuldade em acordar cedo, mesmo quando não vão dormir tarde?
Dr. Reimão: Muita gente tem dificuldade, especialmente na adolescência. É importante saber que todos nós temos uma parte do cérebro – o hipotálamo – que funciona como relógio biológico e é responsável por nos fazer acordar e dormir em certo horário.  O número de horas de sono varia: normalmente, os adolescentes precisam de 9 ou 10 horas para se sentir bem no dia seguinte. Após os 20 anos, a necessidade geralmente cai para 8 horas e, à medida que a pessoa fica mais velha, vai diminuindo ainda mais.
Algumas pessoas podem ter problemas de saúde que dão sono excessivo, mas isso atinge uma minoria. A dificuldade em acordar cedo geralmente se deve a um fato muito simples: a pessoa não dormiu o suficiente à noite. Hoje, com internet, TV e videogames, as pessoas têm ido dormir cada vez mais tarde.
- Existe “sono acumulado”? Faz bem ou mal tirar o atraso no fim de semana?
O déficit de sono vai se acumulando por dias e até meses e a pessoa, por mais que garanta estar acostumada com isso, vai ficando cada vez mais cansada.  O ideal seria que ela distribuísse as horas de sono durante a semana, dormindo um pouco mais a cada dia – mesmo que não consiga chegar à quantidade ideal.  Se isso não for possível, vale dormir mais no fim de semana, sim – mas saiba que a qualidade do sono não será a mesma.
- Por que o sono da noite é mais restaurador que o do dia?
Eles são diferentes. O da noite tem estágios mais profundos. Além disso, é nesse período que o nosso organismo encontra a temperatura, luminosidade e silêncio ideais para dormir. O escuro faz a pessoa secretar melatonina, o hormônio do sono e, por mais que fechemos as cortinas durante o dia, geralmente não conseguimos deixar o ambiente tão escuro quando durante a noite.
- Usar o botão “soneca” do despertador (colocando-o para despertar várias vezes a cada 5, 10, 20 minutos etc.) faz mal? Quando isso pode funcionar?
Isso pode ajudar a despertar, mas mostra que a pessoa não está dormindo o suficiente. Melhor é que procure aumentar o numero de horas de sono. Além disso, esse sono entre os intervalos do despertador é muito superficial e, por isso, faz a pessoa acordar irritada e cansada. Sim: essa irritação no período da manhã é outro sinal de que você está dormindo menos do que devia.
>> Uma observação: a serotonina, um neurotransmissor associado à sensação de bem-estar e relaxamento, é liberada no organismo no início do sono. Quando vai chegando a hora de acordar, porém, outras substâncias entram em jogo, como a adrenalina e a dopamina. Elas são um sinal para o seu corpo despertar e são responsáveis por diminuir os níveis da melatonina (o já referido hormônio do sono). Então, imagine: ao ficar acordando e dormindo de novo, você acaba promovendo uma bagunça química no seu cérebro. E isso não faz nada bem – o que explica o mau humor e, talvez, certa confusão mental quando você finalmente se levanta. 
- O que determina em nosso cérebro a hora de acordar?
Existem células no núcleo do hipotálamo que são como um relógio e promovem a secreção de certos hormônios na hora de dormir e acordar. O problema é que muita gente dorme e acorda em horários diferentes a cada dia, o que faz com que essas células deixam de funcionar de forma sincronizada.
- Mas é possível reajustar o nosso relógio biológico?
Sim, desde que se estabeleça uma rotina. Isso pode levar semanas ou meses, mas é possível – e, quando ele estiver regulado, você poderá até dispensar o despertador.
- Por que muitas vezes acordamos com dor de cabeça quando dormimos demais?
O nosso próprio organismo impõe um limite. É por isso que, por mais que estejamos com déficit de sono, acabamos acordando com dor de cabeça quando ao dormir demais. Quando atingimos um determinado número de horas dormidas (o que varia de pessoa para pessoa), nosso organismo (sob o comando do hipotálamo) começa a secretar um hormônio chamado adrenalina para nos despertar. Quando dormimos demais, ocorre um acúmulo desse hormônio e isso provoca a dor de cabeça.
- Então, para finalizar: o que podemos fazer para espantar o sono pela manhã e conseguir sair da cama mais cedo? Há uma receita?
Existem alguns pontos que podem ajudar:
- Se houver alguém que possa te acordar, peça ajuda. Ter alguém insistindo para você acordar pode ser útil no começo.
- Não fique enrolando na cama. Assim que acordar, já saia dela e vá lavar o rosto. Querer ficar mais cinco minutinhos só vai tornar a coisa mais difícil e deixará você mais irritado.
- Tome um café ou chá-preto. A cafeína é um estimulante que ajuda a espantar o sono – só não exagere para não irritar seu estômago.
- Para espantar o sono durante o dia, pratique alguma atividade física e dê uma volta ao ar livre.
- E o mais importante: não dá para querer acordar mais cedo sem dormir mais cedo. Ir para a cama uma horinha antes já pode ajudar bastante. Tente mudar progressivamente: no primeiro dia, tente dormir e acordar 20 minutos mais cedo. Vá fazendo isso até chegar ao seu horário ideal. E evite cochilar durante o dia – isso tornará mais difícil respeitar os horários que você quer estabelecer.

Ok, então fica a principal lição dessa conversa: se você está com muita dificuldade para acordar cedo, o problema provavelmente está no fato de que está dormindo pouco. Simples assim. Regularize seus horários para que consiga ir para a cama mais cedo e pare de tentar terminar trabalhos tarde da noite. Lembre-se de que, sem dormir, você não renderá nada no dia seguinte e será obrigado a continuar trabalhando até mais tarde. É um círculo vicioso.
Fonte: Superinteressante.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Crianças relacionam super-heróis a alimentos saudáveis


“O que o Batman comeria?” Segundo pesquisadores da Universidade Cornell, em Nova York, essa pergunta pode influenciar crianças a escolher comidas mais saudáveis. O pesquisador Brian Wansink observou o comportamento alimentar de 22 meninos e meninas entre 6 e 12 anos que participavam de um acampamento de férias na Holanda. Segundo ele relatou em artigo publicado na Pediatric Obesity, uma vez por semana, antes do almoço, ele e seus colegas mostraram aos pequenos uma dúzia de fotografias de heróis e vilões populares. Ao exibirem cada imagem, perguntavam às crianças qual opção de acompanhamento o personagem da foto escolheria: maçã fatiada ou batata frita – as mesmas oferecidas nas refeições do acampamento.
“Em média, apenas duas crianças optavam por frutas em vez de batata. Mas, nos dias em que fizemos o ‘exercício’ antes da refeição, cerca de dez delas pediram maçã”, diz Wansink, que explica que a maioria delas associou os ídolos aos alimentos mais saudáveis e os vilões à comida industrializada. “Talvez por terem uma ideia do que seria um comportamento alimentar mais correto”, acredita.
Uma porção de batata frita pequena, como a do estudo, contém 227 calorias, contra 34 do pacotinho com maçã. De acordo com os cálculos feitos pelos pesquisadores, no caso de crianças que consomem fast-food uma vez por semana, trocar a fritura pela fruta pode evitar o ganho de 3 quilos a mais em um ano. “Redes de fast-food investem pesado em publicidade. Vários estudos constatam o forte apelo sobre os mais jovens e até mesmo sobre os pais. Recorrer às imagens de super-heróis pode contrabalançar essa influência”, sugere Wansink.
Fonte: Superinteressante.

Escurinho nos fazer agir desonestamente


No escuro, todo mundo é malandro? É o que mostra o estudo Uma Boa Lâmpada é a Melhor Policial (!), feito por três pesquisadores das universidades de Toronto (Canadá) e da Carolina do Norte (EUA). Eles fizeram uma série de testes e constataram que ambientes com pouca luz nos incentivam a agir de forma desonesta, egoísta e interesseira. Por quê? É que a penumbra deixa a gente com uma sensação psicológica de anonimato, de que estamos meio escondidos. Bem do tipo “ninguém está me vendo, então posso fazer o que quiser”.
E é escurinho de verdade, não precisa ser um breu total. Os caras identificaram esse quê de malandragem em dois cenários: quando os voluntários foram colocados em salas com algumas lâmpadas convenientemente “queimadas” (ou seja, ambientes só um pouco mais escuros do que o normal) e até quando, pasmem, usaram óculos escuros.
Em ambos, os participantes do “escuro” trapacearam, aumentaram a verdade e puxaram o tapete dos colegas em testes escritos e jogos em grupo (tudo em benefício próprio) mais do que os bem iluminados. “A diminuição da luz não teve qualquer influência real sobre o anonimato. Mesmo assim, abriu caminho para comportamentos moralmente questionáveis”, afirma o estudo.
Fonte: Scientific American.

A maior parte de brigas por motivos de ciúme entre casais que usam o facebook está relacionada ao site


Em uma cena do filme A rede social (The social network, 2010), o jovem Mark Zuckerberg tem uma ideia para incrementar o site de perfis sociais que acabara de criar: colocar a opção “status de relacionamento” – isto é, o usuário tem opção de descrever-se como “solteiro”, “casado”, “em relacionamento sério” etc. em sua página. Em poucos dias, a rede cai no gosto de universitários e seu número de usuários aumenta em progressão geométrica. Romanceada ou não, a passagem da cinebiografia do jovem bilionário Zuckerberg, criador do Facebook, a rede social mais popular da atualidade, reflete um aspecto real da rede: estudos mostram que ela não se tornou apenas uma via comum de flertar, mas também um meio de acompanhar atuais e ex-parceiros.
Segundo uma pesquisa da Universidade de Guelph, no Canadá, baseada nas respostas anônimas de mais de 300 universitários “compromissados” que usam o site, a maioria das brigas por motivos de ciúme estão relacionadas ao site – fotos colocadas por ex-namorados(as) e comentários deixados por amigos do sexo oposto são as principais causas. De acordo com a autora, a psicóloga Amy Muyise, a pessoa ciumenta na “vida real” tende a atribuir significados a mensagens e imagens postadas na rede com facilidade. “A interação do amado com um contato que ela não conhece pode ser motivo de desconfiança. Além disso, fotos e informações antigas lembram-na constantemente que o namorado(a) teve um vida amorosa antes dela”, exemplifica Amy.
Outro estudo, da Universidade Western, também no Canadá, revela que quase metade dos quase 1 bilhão de usuários do Facebook têm o(a) ex entre seus amigos virtuais. Um terço deles volta e meia (ou constantemente) visita o perfil do antigo amor e até mesmo da pessoa com quem suspeita que ele esteja se relacionando.
Fonte: Scientific American.

Dormir mal deixa você mau caráter


Que uma noite mal dormida tem o potencial de deixar a gente num mau humor do cão, todo mundo já sabe. Mas fique esperto porque, segundo cientistas norte-americanos, a falta de sono pode estimular também um tantinho de malandragem.
Em uma série de testes com voluntários (feitos em ambientes de trabalho, com direito a um chefe fictício observando cada passo do pessoal), os pesquisadores notaram que aqueles que tinham dormido pouco ou mal na noite anterior tendiam à falta de ética na hora de fazer escolhas – bem mais do que os que apareceram para os testes bem descansados.
Segundo os responsáveis pelo estudo, a falta de sono prejudica, além do raciocínio, o nosso autocontrole, o que torna mais fácil ceder à tentação de dobrar um pouquinho os conceitos de certo e errado para se dar bem em dada situação.
Ou seja, está aí mais um ótimo motivo para dormir bastante. Ouviu, chefe? Ouviu, mãe?
Fonte: Superinteressante.