segunda-feira, 25 de março de 2013

Escolas americanas pagam crianças que vão bem em exames


Quer ganhar dinheiro só pra estudar? Mude-se para Virginia Beach, EUA. Lá, as escolas de ensino médio estão oferecendo incentivos em dinheiro tanto para alunos quanto para professores baseados em boas notas em seus exames de “Colocação Avançada”.
Aparentemente, um tapinha nas costas não é mais suficiente: para estudar, um aluno precisa receber até 100 dólares (cerca de 180 reais) por cada exame em que ele pontue 3, 4 ou 5, numa escala de 5 pontos.
As primeiras escolas a adotar essa nova técnica foram as Escolas de Ensino Médio Salem e Green Run. E da onde vem o dinheiro que as escolas estão usando para isso?
Aparentemente, de uma concessão privada que está ajudando a pagar por todos os prêmios em dinheiro. As Escolas Salem também fizeram uma parceria com a Iniciativa Nacional americana de Matemática e Ciências.
Esses exames avançados são considerados bastante rigorosos, preparando os alunos para o que eles vão enfrentar na faculdade.
E, segundo os professores, os prêmios são apenas uma maneira de incentivar os alunos a terem responsabilidades.
O orçamento da concessão privada também ajuda a melhorar o ensino e a formação dos professores.
Parece uma boa ideia incentivar as crianças a ter um interesse acadêmico sério, mas as implicações de “pagá-las” para estudar, a longo prazo, ainda são desconhecidas. O que você acha?
Fonte: OddityCentral.

Córtex de centenários com memória ótima é mais espesso


Enquanto a maioria dos idosos com mais de 80 anos sofre perdas cognitivas perceptíveis, existe uma “elite” que conserva até perto dos 100 anos memória equivalente à de pessoas de 50. A neurologista Emily Rogalski, da Universidade Northwestern, em Chicago, registrou, por meio de ressonância magnética tridimensional, neuroimagens de 12 super agers, como ela se refere a essa população, e descobriu uma diferença anatômica em seu cérebro: um córtex mais espesso. Essa região é associada à memória, à concentração e a outras habilidades cognitivas sofisticadas.
“O córtex de pessoas com mais de 80 anos é geralmente mais tênue, mas, nos super agers, tem espessura semelhante ao de pessoas de meia-idade”, diz Emily. Em artigo publicado no Journal of Neuropsychological Society, ela explica que identificar os mecanismos envolvidos na aparente proteção contra a perda de matéria cinzenta, natural no processo de envelhecimento, pode ajudar a desenvolver novas intervenções para preservar capacidades cognitivas e combater sintomas de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. “Podemos dizer que a espessura cortical oferece uma medida indireta da saúde do cérebro. Um córtex mais denso sugere que há mais neurônios funcionando”, explica a neurologista, que também identificou outra parte mais espessa no cérebro desses idosos: o córtex cingulado, ligado à concentração. “Isso é surpreendente, pois a atenção suporta a memória – e essa habilidade é ‘afiada’ nos super agers”, observa. 
Fonte: Scientific American.

O amor é cego literalmente


Quem está apaixonado fica em estado de graça: meio aéreo, sem prestar muita atenção no que está se passando a sua volta. Isso todo mundo já sabe. Mas cientistas da Universidade da Flórida acabam de descobrir que a coisa pode ir muito além: o amor torna o cérebro humano literalmente incapaz de prestar atenção em rostos muito bonitos.
Os pesquisadores fizeram um estudo para medir a atenção de 113 homens e mulheres, que foram expostos a fotos de pessoas lindas (e outras não tão bonitas). Metade dos voluntários teve de escrever, antes da experiência, um pequeno texto falando sobre o amor que tinha por seu parceiro. A outra metade fez uma redação genérica, sobre felicidade. Em seguida, as fotos foram exibidas - com os olhos dos voluntários monitorados por um computador. Quem tinha escrito (e pensado) em amor passou a ignorar as imagens de pessoas bonitas - seus olhos simplesmente não se fixavam sobre as fotos. E essa rejeição só acontecia com as fotos de gente linda; com as imagens de pessoas comuns, não havia diferença.
Segundo os cientistas, isso acontece porque, quando as pessoas pensam em amor, seu neocórtex passa a repelir pessoas muito atraentes - que são tentadoras e têm mais chances de levar alguém a praticar adultério. O mais impressionante é que, entre os homens, esse mecanismo antitraição é 4 vezes mais forte do que nas mulheres.
Os cientistas especulam que ele teria se desenvolvido, ao longo da evolução, para ajudar os machos a se manterem monogâmicos. "Há muitos benefícios evolutivos em uma relação monogâmica, e o organismo leva isso em conta", diz o psicólogo Jon Maner.
Fonte: Superinteressante.

Por que sentimos mais dor no frio?


Sabe a diferença entre fatalidade e tragédia? Fatalidade é bater o pé no batente da porta; tragédia é bater em um dia frio. O que torna a dor maior nas temperaturas menores é a contração dos músculos e dos vasos sanguíneos.
A intenção do nosso corpo até que é das melhores: os músculos se contraem involuntariamente para se manterem aquecidos, e o sangue sai das articulações em direção ao tronco para manter nossa temperatura constante. O problema, como qualquer mindinho pode confirmar, é que uma pancada em uma articulação contraída e sem sangue dói muito mais que uma normal. Uma hipótese é que, além disso, o frio tornaria mais sensíveis os receptores livres, os terminais nervosos que levam a sensação de dor para o cérebro.
Segundo a psicologia evolutiva, a intenção é que doa mais mesmo. Parece contraintuitivo, mas a teoria é a seguinte: como no frio a prioridade é se aquecer, não se mexer, ao longo do tempo teriam sido selecionados os indivíduos que sentiam mais dor e, consequentemente, se arriscavam menos baixas temperaturas. Como diz o sociobiólogo Robert Trivers, "a Mãe Natureza prefere seus filhos mais comportados".
Fonte: Superinteressante.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Como o cérebro age na ansiedade


Um estudo feito pela Universidade da Carolina do Norte explica como duas regiões do cérebro interagem para produzir comportamentos relacionados à sentimentos - como ansiedade. As descobertas podem levar ao desenvolvimento de melhores tratamentos para distúrbios como depressão e ansiedade.
A interação acontece quando neurônios de uma parte do cêrebro, conhecida como amídala, ficam hiperativos, estimulados por situações estressantes. Estes neurônios, que controlam emoções como o medo, estimulam a ação de uma outra área do cérebro, a Área Tegumentar Ventral, associada à compensação. Ou seja, uma área associada à ansiedade está diretamente ligada a outra associada a recompensas.
Se cientistas conseguirem entender corretamente a dinâmica dessa interação, será possível fazer com que pessoas não se sintam motivadas pelo seu próprio cérebro a ter atitudes que não lhe fazem bem, como vícios em drogas e o comportamento depressivo por exemplo.
Fonte: ScienceDaily. 

Universitários criam gel que consegue controlar sangramentos instantaneamente


Dois estudantes da Universidade de Nova York (NYU), Joe Landolina e Isaac Miller, criaram uma fórmula que pode facilitar a vida dos profissionais de saúde. A invenção é um gel “mágico” chamado Veti-Gel, que é capaz de parar qualquer tipo de sangramento, inclusive os mais intensos.
A criação é uma versão artificial da matriz extracelular, um ingrediente do tecido conjuntivo que tem a função de sustentar o corpo. É como se fosse uma cola, que dá liga entre os outros tecidos. “É como se o gel dissesse para o seu corpo parar a hemorragia”, diz um dos estudantes.
Além de fechar os cortes, o Veti-Gel também começa a curar feridas graves nos órgãos internos e artérias principais. “Não existe uma maneira rápida para controlar sangramentos, exceto manter muitas gazes sobre a ferida”, disse Landolina. “Pensei que se eu pudesse colocar este gel ali, ele se solidificaria e pararia o fluxo de sangue“.
No vídeo abaixo, é possível ver a ação do gel em um pedaço de carne de porco. Em um primeiro momento, o sangue corre livremente. Mas depois da aplicação do gel e de um líquido que acelera a coagulação, o sangramento para. Veja:

Fonte: Superinteressante.

Preferência sexual não é opção


Na hora do sexo, você gosta de homens ou de mulheres? Acha que isso é uma escolha consciente, que pode ser “certa” ou “errada”, ou uma questão biológica, mera constatação das preferências do seu cérebro, da mesma maneira que se constata a cor da pele ou dos cabelos?
Toda a neurociência indica que a orientação sexual é inata, determinada biologicamente e antes mesmo do nascimento. Aliás, o termo correto para designar a heterossexualidade ou homossexualidade é “preferência” sexual e não “opção” sexual. A razão é simples: interessar-se sexualmente por homens ou mulheres é algo que seu cérebro faz automaticamente, pouco importando o que você pensa a respeito. Opção, isso sim, é o que você faz com a sua preferência: assume publicamente, abraça e curte, ou tenta abafar, esconder, ou mesmo ir contra ela.
Que religiosos e políticos esperneiem à vontade, mas não há qualquer evidência de que o ambiente social influencie a preferência sexual, humana ou de outros bichos. Cerca de 10% dos homens e das mulheres preferem parceiros do mesmo sexo. A estatística não muda entre pessoas criadas por pai e mãe, dois pais, duas mães, com religião ou sem ela. Tentativas sociais de convencer humanos ou outros animais a mudar de preferência sexual nunca deram muito certo.
A preferência sexual está associada à maneira como o hipotálamo responde a feromônios, substâncias pouco voláteis produzidas pelo corpo, mas que ainda assim entram nariz adentro e surtem efeitos sobre o hipotálamo. Um estudo do Instituto Karolinska, na Suécia, mostrou poucos anos atrás que o hipotálamo de cada pessoa é preferencialmente sensível a um de dois tipos de feromônios: ou o feminino, ou o masculino.
O hipotálamo de homens heterossexuais – e também o das mulheres homossexuais – responde fortemente ao feromônio produzido somente por mulheres, chamado EST. Ao contrário, o hipotálamo de mulheres heterossexuais, e também de homens homossexuais, responde preferencialmente ao feromônio masculino, AND. Com tudo o que se conhece sobre a região envolvida do hipotálamo, deve se seguir uma cascata de eventos em outras áreas do cérebro, como a amígdala, o córtex cerebral e o sistema de recompensa, que provocam excitação sexual e fazem com que se busque o dono, ou a dona, do feromônio que ativou o hipotálamo.
O padrão de resposta do hipotálamo, portanto, concorda não com o sexo de cada pessoa, e sim com sua preferência sexual – e, com base em tudo o que já se sabia antes, provavelmente dita essa preferência. São sexualmente excitáveis por mulheres aqueles proprietários de hipotálamo que responde ao EST, feromônio feminino, e não ao AND; são excitáveis por homens, que por definição produzem o feromônio AND, os donos de hipotálamo sensível ao AND – sejam eles mulheres ou homens.
Revelada quando o cérebro adolescente, sensibilizado pelos hormônios sexuais produzidos sob seu controle, expressa o caminho que tomou ainda na gestação, a preferência sexual não se escolhe: descobre-se. Por isso, ela é exatamente tão “correta” quanto a cor da sua pele. Tentar mudar a preferência sexual é como insistir que uma pessoa troque a cor da pele, se torne mais baixa, ou tenha olhos de outra cor. É como exigir que você, leitor, com 90% de chance de ser heterossexual, agora tenha de se relacionar com pessoas do seu próprio sexo. Gostou da ideia? Aposto que não. É inviável, inútil e injusto.
Fonte: Scientific American.

Dormir pouco pode acabar com seu namoro


Esse negócio de ficar sem dormir acaba com a vida de qualquer um: deixa você mais feio, com cara de acabado, cada vez mais gordo, mau caráter (pois é), e ainda pode colocar um fim no seu relacionamento.
É que quando dormimos pouco, ficamos mais egoístas. E sem tempo (ou paciência) para agradecer ou prestar atenção nos cuidados e carinhos do parceiro. Aí se a chatice for constante e seu amor se sentir desvalorizado, por conta da falta de atenção e reconhecimento, as chances de seu namoro acabar mal e antes do que você desejava são bem grandes.
Foi o que indicou a pesquisa da Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos. Eles convidaram 60 casais, de 18 até 56 anos, para participarem de dois testes. No primeiro, cada voluntário teve de listas em um diário, durante alguns dias, 5 atitudes legais do parceiro que mereciam reconhecimento. Eles também relatavam quanto tempo haviam dormido – e se tinha sido uma boa noite de sono. No segundo experimento, os casais tiveram de resolver, juntos, alguns desafios de lógica.
Em geral, nos dois casos, quem dormia pouco se importava e valorizava menos o parceiro – e nem sequer se davam conta disso.
Por via das dúvidas, melhor ir dormir…
Fonte: Superinteressante.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Por que assistimos a reprises


Zapeando com o controle remoto, você descobre um canal que está transmitindo seu seriado preferido – ou melhor, seu programa predileto há mais ou menos dez anos – e fica feliz por poder rever cenas que já assistiu ao menos duas vezes no passado. Segundo Cristel Russo, professora de marketing da Universidade do Arizona, o “reconsumo”, em suas palavras, de filmes, séries de TV e afins é um fenômeno mais complexo do que parece. Além de o cérebro poder antecipar o tipo de recompensa que receberá (riso, surpresa, emoção etc.), “gostamos de com-parar como nossa vida mudou desde a primeira vez em que vimos o filme ou o programa”, diz Cristel.
Em estudo publicado no Journal of Consumer Research, ela entrevistou 23 pessoas que haviam recentemente relido um livro, visto outra vez um filme ou retornado a um local para passar férias. Com perguntas bem abrangentes, ela estimulou os voluntários a falar muito e a fazer  descrições da experiência. A análise das respostas, gravadas pelos pesquisadores, permitiu identificar uma grande motivação para a repetição: a previsibilidade. “É bom saber que algo que nos emociona, anima ou relaxa vai acontecer – e poder degustar a chegada do momento”, afirma a pesquisadora. A oportunidade de reconhecer que algumas emoções ficaram no passado é outro fator importante. “Uma participante que assistiu ao filme Uma carta de amor (Message in a bottle, 1999) disse que o longa a estava ajudando a superar um relacionamento que terminou – cada vez que revia as cenas, descobria novas evidências de que havia tomado a decisão certa”, conta Cristel, que parafraseia o filósofo Heráclito: “Passamos por um mesmo rio para verificar que não somos mais os mesmos”.
Fonte: Scientific American.

A história sangrenta da medicina


A ASSUSTADORA HISTÓRIA DA MEDICINA
Seu medo de ir ao médico tem remédio. Depois de ler esta matéria, você vai dar graças a Deus por ter consulta marcada com um profissional do século 21. Até a alguns séculos, o conhecimento da medicina era mais instintivo do que documentado, os utensílios pareciam saídos de filmes de terror e recursos como esterilização e anestesia eram meras sugestões. Esta é, literalmente, uma história de sangue, suor e lágrimas – e cabia aos pacientes fornecer o primeiro e o último.
BURACO NA CABEÇA
EGITO - 3000 a.C.
Egípcios se especializaram no primeiro tipo de cirurgia de que se tem registro.
1) Praticada desde a Pré-História, a trepanação foi o primeiro tipo de cirurgia conhecido. Era comum na Índia, na China, na África e no Peru. Em torno de 3000 a.C., os egípcios se tornaram experts nesse procedimento porque conheciam bem o cérebro humano graças às mumificações. Ele servia para diminuir a pressão intracraniana, retirar coágulos, curar enxaqueca ou insanidade e até mesmo para “expelir maus espíritos”.
2) O tratamento consistia em furar o crânio, arrancar um pedaço do osso até a altura da membrana que recobre o cérebro, mas sem penetrar na camada chamada dura- máter. O tamanho, a quantidade de buracos e os instrumentos utilizados variaram com o tempo, mas os egípcios gostavam de usar uma broca e uma espátula para fazer de um a três rombos com cerca de 2 cm de diâmetro. E sem anestesia!
3) Depois da cirurgia, o paciente usava uma bandagem de linho, mas os buracos ficavam lá pelo resto da vida. “O couro cabeludo e o cabelo voltam a crescer sobre parte da abertura, mas a pessoa nunca mais volta a ter osso naquele ponto”, diz Lara Frame, antropóloga norte-americana da East Carolina University. Na Roma antiga, o osso era moído e diluído em bebida – considerado um remédio revitalizante.
FURA O ZÓIO
PAÍSES ÁRABES - SÉCULO 12
Muçulmanos faziam operações oftalmológicas com agulhas cegas.
1) Se você tivesse problemas de visão durante a Alta Idade Média, não haveria melhor lugar para se tratar do que nos países árabes. Mestres na fabricação de óculos desde o século 8, “os médicos muçulmanos desenvolveram técnicas de raspagem semelhantes às usadas hoje para tratar a catarata”, afirma Emilie Savage-Smith, professora de história da ciência islâmica.
2) Eles evitavam ao máximo fazer cirurgias, mas, em casos extremos, recorriam a centros hospitalares em Bagdá, em Damasco e no Cairo. Sentado de modo que seu rosto ficasse na altura do rosto do médico, o paciente era imobilizado por três assistentes e recebia pequenos ganchos nas pálpebras para não piscar. Então, o cirurgião usava uma agulha sem ponta para penetrar o globo ocular e raspar o cristalino, a “lente” que regula o foco.
3) Depois, ele retirava a agulha e o paciente avaliava, olhando para a parede, se a visão estava mais nítida. O processo era repetido três ou quatro vezes. Aí, a região era lavada com água salgada e o operado repousava por até uma semana. A técnica pode parecer radical, mas funcionava – textos islâmicos foram traduzidos para o latim, influenciaram a medicina europeia durante o Renascimento e são estudados até hoje.
Os islâmicos foram os primeiros a discordar do grego Hipócrates, que dizia que a imagem se formava no ar e chegava pronta ao olho.
PITANGUY DA RENASCENÇA
ITÁLIA - SÉCULO 16
Cirurgias plásticas não são novidade. Elas já enriqueciam médicos há cerca de 500 anos.
1) Já no século 6 a.C., o indiano Sushruta, primeiro cirurgião conhecido da história, assinou obras descrevendo o processo de reconstituição ou alteração do rosto. Seu método mais famoso era a reconstituição do nariz, que era talhado com uma lâmina e depois recoberto com pele do queixo. Mas foi na itália do século 16 que a técnica atingiu uma sofisticação inédita.
2) Em geral, quem exigia o serviço eram homens vítimas de agressão, facada ou tiro e também quem tinha sífilis avançada (a doença desfigurava o rosto, expondo a pessoa à vergonha pública). O médico começava “refazendo” o nariz antigo (ou o que havia sobrado dele) com um bisturi rudimentar. E, claro, tudo sem anestesia. No máximo, ele recomendava uma dose forte de bebida.
3) Com o novo órgão esculpido em carne viva, o cirurgião desenhava um prisma, no tamanho certo, na parte interna do braço do paciente. Com uma faca afiada, ele cortava a figura, exceto em uma das pontas. Como era preciso levar junto com esse enxerto os vasos sanguíneos, restava um buraco profundo no braço do paciente, que era preenchido com ataduras.
4) Gaspare Tagliacozzi, que inventou a técnica, batizou o pedaço de pele cortada de pendículo. Ele era usado para cobrir o nariz, devidamente afixado com suturas nas laterais. Como ainda estava ligado ao organismo (na extremidade não cortada no braço), ele recebia circulação de sangue normalmente e, assim, podia cicatrizar lentamente sobre o rosto, sem necrosar.
5) O problema é que, durante a regeneração, o paciente tinha de ficar com o braço “colado” à face, sem movê-lo. Para isso, ele recebia um curioso corselete de couro, com tiras desenhadas sob medida. Passadas duas semanas, Tagliacozzi cortava o pendículo. A essa altura, o enxerto já exalava um cheiro horrível e o paciente mal sentia o braço, que havia atrofiado.
6) O doutor finalizava a napa com sua faca, criava novas ataduras e escorava tudo com talas. Só após mais três meses ele permitia que o paciente se olhasse no espelho. A não ser que a camada de pele tivesse infeccionado (nesse caso, estaria toda preta), o resultado costumava ser satisfatório – o que acabou garantindo uma bela fortuna para Tagliacozzi ao longo dos anos.
ARRANCADO À FORÇA
INGLATERRA - SÉCULO 17
O primeiro método para facilitar o parto, o fórceps, era um perigo para o bebê.
1) Mesmo com o avanço da medicina, demorou séculos até que o nascimento virasse um processo cirúrgico. Antes, a mãe costumava ser acompanhada só por parteiras ou sacerdotisas. Se algo desse errado, quase sempre ela morria com o sofrimento. Na Antiguidade, a barriga da mãe só era cortada se ela falecesse – o bebê podia sair dali vivo ou morto.
2) Até o século 17, a gravidez era assunto exclusivo das mulheres. Foi só então que os médicos começaram a acompanhar a gestação. Ainda assim, era quase impossível determinar o estado e o tamanho do feto ou em qual semana de gravidez a mulher estava. Portanto, o parto ocorria de surpresa. O doutor era chamado às pressas para conduzi-lo, geralmente no quarto da parturiente.
3) Foi para facilitar a observação clínica que as mulheres passaram a dar à luz deitadas – antes, o comum era fazerem-no sentadas ou de cócoras! E o primeiro procedimento para facilitar o parto só surgiu em 1600, com a invenção do fórceps. Criado pelo francês Peter Chamberlen, o utensílio nada mais era que uma tesoura enorme, adaptada para puxar a criança pela cabeça.
4) O fórceps só era usado quando algo impedia a passagem do bebê ou a mãe estava cansada, doente ou com sangramentos. Mas, com frequência, machucava gravemente a criança ou o útero e a bexiga da mãe. “A técnica evoluiu muito pouco desde que foi criada. É útil, mas costuma provocar lacerações na cabeça do bebê”, diz Fidelma O’Mahony, do Hospital Universitário de North Staffordshire, na Inglaterra.
5) Vale lembrar: a mulher passava pela dor do nascimento sem anestesia. Um dos primeiros usos desse recurso foi com a rainha Vitória, da Inglaterra. Em 1853, ela aceitou a sugestão do médico John Snow e deu à luz ao príncipe Leopoldo com a ajuda de uma máscara de tecido embebida com clorofórmio. Ela repetiria a experiência em 1857, quando teve a filha Beatriz.
SANGUE DO SEU SANGUE
Primeira transfusão, também na Inglaterra do século 17, foi entre um homem e um animal
A primeira transfusão de sangue bem-sucedida envolveu um jovem de 15 anos com anemia... e uma ovelha! O garoto só sobreviveu à rejeição ao sangue do bicho porque deve ter recebido uma baixa quantidade dele, já que os tubos e as agulhas usados provocaram muita perda do líquido durante o processo.
O médico responsável, Richard Lower, repetiu o procedimento com um adulto e também foi bem-sucedido. A partir daí, fez várias tentativas, mas a maioria dos pacientes morreu. Em 1670, a técnica foi proibida pelo governo britânico e depois banida pela Igreja. Só voltaria a ser realizada 150 anos depois, com os pacientes humanos lado a lado sobre duas macas.
OSSO DURO DE SERRAR
INGLATERRA - SÉCULO 19
Escocês ultraveloz revolucionou as amputações – mas a operação ainda era hardcore.
1) Desde que existem guerras, existem amputações. Nos campos de batalha, médicos usavam o que tinham às mãos para decepar o membro e salvar o resto do corpo. No século 19, ainda era um dos procedimentos médicos mais comuns em hospitais. Só se tornou mais rápida e segura graças a novas técnicas introduzidas pelo médico escocês Robert Liston.
2) Nas mãos de Liston, a amputação tornou-se uma arte. Tanto que sua sala de cirurgia no University College, de Londres, era um anfiteatro, onde o procedimento podia ser assistido. Ela ficava no fundo do hospital ao lado do necrotério e do cemitério, já que era para lá que iam muitos dos pacientes de cirurgias.
3) Liston foi um dos pioneiros em tentar esterilizar o processo. Em uma época em que os médicos se orgulhavam da quantidade de manchas de sangue no sobretudo, ele usava avental e valorizava a limpeza dos objetos cirúrgicos. Ainda assim, a sala só era varrida uma vez por dia e, para driblar o frio, havia uma lareira, que empesteava o ambiente com fumaça.
4) O paciente tinha os braços e as pernas presos por correias de couro. Quatro pessoas ficavam à disposição para segurá-lo, caso se debatesse de dor (a anestesia ainda dava os primeiros passos e Liston não era adepto). Uma placa de madeira era colocada entre seus dentes. E o membro a ser cortado era preso por um torniquete, inventado pelo francês Jean-Louis Petit no século 18.
5) Com um único golpe, ele cortava a carne até a altura do osso. Aí, fazia duas marcas, nas partes superior e inferior do osso, para apoiar a serra. Enquanto o assistente mantinha o torniquete apertado e puxava a carne, para haver uma “sobra” de músculo e pele, o cirurgião serrava o osso. Tudo isso em cerca de 30 segundos!
6) Sentiu na pele? Calma que não acabou. Para evitar hemorragias fatais, a coagulação do sangue era acelerada com uma cauterização: uma chapa fervendo colocada rapidamente sobre o ferimento. A rebarba de carne era ajustada sobre a área cortada e costurada com uma sutura em forma de U. A taxa de eficiência de Liston era alta: de cada seis pacientes, só um morria!
NAVALHA NA CARNE
Para agilizar, Liston deixava os utensílios bem afiados e na ordem que os utilizaria
- Faca
Com 30 cm e cabo de ébano, usada para abrir a carne até o osso.
- Serra
Muito afiada, para romper o osso da perna ou do braço.
- Fórceps
Extraía pedaços de ossos que ficassem presos na carne após a amputação.
- Esponjas
Usada pelos assistentes para absorver o sangue enquanto o médico operava.
CORAÇÃO GELADO
EUA - 1953
Cirurgias cardíacas sempre foram difíceis. Uma das técnicas era uma verdadeira fria.
1) A cirurgia do coração só evoluiu de fato a partir do final do século 19. Afinal, imagine como era difícil mexer num órgão que bombeia sangue e está sempre encharcado dele, pulsando. O primeiro a operá-lo com sucesso foi o norueguês Axel Cappelen. Em 1895, ele conseguiu ligar uma artéria coronária rompida.
2) Em 1953, nos EUA, surgiu um artifício: resfriar o corpo do paciente a até 28 oC e retirar seu sangue, deixando-o em circulação numa máquina. Para isso, a pessoa era colocada numa banheira de gelo, que diminuía os batimentos. Outra opção era sedá-lo com anestesia e relaxante muscular e cobri-lo com um cobertor com tubos de borracha, pelo qual passava água gelada
3) O sangue circulava por um aparelho inventado pelo norte-americano John H. Gibbon Jr., que fazia o processo de troca de gases em nível celular. Enquanto isso, com o coração sem sangue e quase parado, o médico podia operar. Depois, o líquido voltava a circular e o paciente recuperava a temperatura normal. Esse equipamento de circulação extracorpórea deu origem aos aparelhos de diálise.
Fonte: Mundo Estranho.